Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

09
2009
Mai | Jun | Jul | Ago

Avaliação em Educação: Perspectivas Ibero-Americanas

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Avaliação de sistemas educacionais no Brasil

Autor: Bernardete A. Gatti +

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Iniciativas regionais
Foi durante os anos mil novecentos e noventa que diversas avaliações de sistemas escolares vão tomar corpo também em várias regiões do país, além do âmbito nacional já exposto. Abaixo relatamos três iniciativas em Estados da Federação, as mais consolidadas.

Estado de S. Paulo
Assim, em 1992 foi realizada no Estado de S. Paulo avaliação dos alunos das Escolas Padrão, projeto de inovação curricular desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação, inicialmente com 306 escolas no Estado, depois ampliando-se para mais de mil, com vistas a abranger aos poucos todas as escolas do sistema, o que não chegou a acontecer. O objetivo da avaliação era verificar se com os insumos educacionais diferenciados que recebiam as escolas e professores se obtinham melhorias no nível de aprendizagem escolar por parte dos alunos. A avaliação então realizada abrangeu Língua Portuguesa, Redação, Matemática, Ciências, História e Geografia, tendo sido aplicado um questionário para sondagem de características dos alunos. Foram submetidos a ela todos os alunos de 8ª série. Essa avaliação seria o marco zero, com a qual sucessivamente se procuraria comparar o futuro desenvolvimento educacional das crianças. Esperava-se, no início dos trabalhos, poder realizar avaliações sucessivas, durante vários anos, com dados da progressão dessas crianças que estavam vinculadas ao Projeto da Escola Padrão. Os primeiros resultados foram interpretados psico pedagogicamente e recomendações curriculares foram feitas e consolidadas em documentos distribuídos às escolas. A partir dos dados obtidos vários estudos com foco específico foram realizados para subsidiar ações específicas junto às escolas (Gatti, 1996). Essa avaliação, que pretendia ser longitudinal, foi descontinuada por mudança na administração da Secretaria de Educação do Estado. A nova gestão desenvolveu outros estudos visando comparar Escolas Padrão e Não Padrão, considerando a região da escola, os períodos, diurno e noturno dos cursos. Os dados foram divulgados para a rede. Enfatizava se que se deveria enfrentar com critério e determinação os pontos críticos revelados em relação ao processo de ensino. As provas foram analisadas e implicações pedagógicas foram apontadas, com recomendações quanto aos pontos críticos em cada disciplina avaliada (Mondel & Maluf, 1994).

Ao mesmo tempo, entre 1992 e 1994, outro projeto de avaliação vinha sendo desenvolvido, amostralmente, nas escolas estaduais do Estado de S.Paulo, com caráter de uma verdadeira pesquisa avaliativa: O Projeto de Avaliação de Impacto do Ciclo Básico e da Jornada Única na Área Metropolitana de São Paulo. A equipe de pesquisa fez um estudo longitudinal de acompanhamento de um mesmo segmento de crianças, durante 3 anos, com o objetivo complexo de analisar mudanças de aprendizagem e de características cognitivas ao longo do tempo. Esse foi um tipo de pesquisa em avaliação nunca antes desenvolvido no país, inclusive com um estudo paralelo de caráter antropológico. Este permitiu que se tivesse uma compreensão profunda do que se passava no cotidiano das escolas e no desenvolvimento cognitivo das crianças (Neubauer et al., 1996). A partir de 1995 institui-se no Estado de S.Paulo, como parte de um programa para a educação pública do estado, o SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar no Estado de S. Paulo), que vem se realizando até hoje, abrangendo séries sucessivas, com questionários informativos, e fazendo-se as equalizações necessárias ano a ano para se obter comparabilidade. Neste modelo todos os alunos matriculados nas séries envolvidas são avaliados (Espósito, 2000; SEESP, 1996,1998). O sistema SARESP tem mantido as avaliações periódicas e em 2008 fundamentou a criação de um indicador de desenvolvimento educacional específico para o Estado de S. Paulo – IDESP –, com características de construção um pouco mais nuanceadas do que o índice do Ministério da Educação.


Sobre o Autor:

Bernardete A. Gatti (rb.gro.ccf@ittagREVERSETHIS) - CV

Fundação Carlos Chagas | Brasil

Keywords
Avaliação educacional, Avaliação institucional, Rendimento escolar, Sistemas de ensino.
Como referenciar este artigo:

Gatti, Bernardete A. (1970). Avaliação de sistemas educacionais no Brasil. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, , pp. 1-12. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt