Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

08
2009
Jan | Fev | Mar | Abr

Formação de Professores

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Formação de Professores para a prevenção da indisciplina

Autor: José Espírito Santo +

páginas: 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 | pdf | próximo artigo »

Introdução

A indisciplina dos alunos é hoje um fenómeno, que, pela sua extensão e ressonância social não pode deixar de interpelar todos quantos directa ou indirectamente estão ligados ao território pedagógico, em especial os que talvez sofram mais os seus efeitos: os professores. A minha experiência de investigação nesta matéria tem vindo a evidenciar, contrariando até posições há muito firmadas na literatura de referência, que, actualmente em muitos casos, são mesmo os professores há mais tempo em actividade que correm o risco de sofrer mais os efeitos da indisciplina discente na esfera pessoal e profissional, por estarem cultural, e nalguns casos, técnica e emocionalmente, mais desmunidos do que os seus colegas recém-chegados à profissão para prevenirem as situações em que ocorrem incidentes disciplinares.

A intervenção disciplinar de carácter preventivo, concebida como a competência que permite compreender e neutralizar as causas dos comportamentos de indisciplina na sala de aula, é, pela sua complexidade, uma das facetas mais exigentes da actividade docente. A investigação, realizada nacional e internacionalmente, tem mostrado que esta competência nem sempre está presente no repertório cognitivo e procedimental de muitos docentes, pelo que, a formação, enquanto eixo fundamental do desenvolvimento profissional dos professores, pode dar um contributo para uma mudança positiva das suas práticas e das representações que as suportam.

Cientes da importância do contributo da formação para este domínio da profissionalidade docente, apresentamos, neste artigo, uma síntese do dispositivo de formação adoptado em dois conjuntos de estudos, apresentados em provas de Doutoramento concluídas em 2003, através dos quais se visava ensaiar estratégias para promover a prevenção da indisciplina. Procuramos, com base na reflexão sobre algumas das características e dos resultados mais relevantes dessa investigação-formação e na experiência posterior adquirida como formador, assinalar alguns eixos básicos em torno dos quais se poderá articular e organizar a formação de professores no domínio da prevenção da indisciplina.

Primeiro conjunto de estudos

Breve enquadramento metodológico
O primeiro conjunto de estudos que seleccionámos para apresentar neste artigo envolveu 6 professores e 21 alunos pertencentes a turmas do sexto, sétimo e oitavo anos de escolaridade. Combinou uma metodologia de estudo de caso, própria de uma estratégia de investigação qualitativa, com uma perspectiva mais positivista e experimentalista através da utilização de um planeamento experimental de caso único A-B-A mitigado.

Através desta investigação pretendeu-se, primariamente, analisar os efeitos de um processo de formação/supervisão (levado a cabo para implementar nos formandos um estilo de disciplinação preventiva centrado em estratégias decorrentes da corrente da Classroom Management), nas conceptualizações dos professores, na prática docente e no comportamento dos alunos. Pretendeu-se, secundariamente, em relação a turmas de duas professoras participantes na experiência, apurar se havia ou não transferência dos efeitos da intervenção (em termos de modificação do comportamento dos alunos) para o contexto de outras disciplinas, cujos professores não tinham participado na acção de formação.


Sobre o Autor:

José Espírito Santo (tp.ajebpi.bese@otnasjREVERSETHIS) -

Escola Superior de Educação | Instituto Politécnico de Beja

Keywords
Formação de Professores, Indisciplina, Superação de dicotomias paradigmáticas, Tempo e suporte.
Como referenciar este artigo:

Santo, José Espírito (2009). Formação de Professores para a prevenção da indisciplina. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 8, pp. 87-100. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt