Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

07
2008
Set | Out | Nov | Dez

Pedagogia do Ensino Superior

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Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem

Autor: Maria Aurora Rodríguez Borrego + , Julia Boronat Mundina + , Isabel Freire +

páginas: 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 | pdf | próximo artigo »

- Acompanhamento através das tutorias. A evolução das tutorias foi notória, constatando-se que os estudantes, nos dois primeiros casos, assumem a assistência às mesmas e cumprem. Nas tutorias do terceiro caso, de carácter grupal, dá-se um avanço significativo, ou seja, os alunos não só vêm à tutoria, como reflectem e valoram a sua dinâmica e reflectem estes pensamentos no seu caderno de campo. Em qualquer dos casos, a tutoria é um aspecto muito valorizado pelos alunos. 

- Sistema de avaliação. A avaliação não foi uniforme, uma vez que se utilizaram diversos procedimentos. No primeiro caso, primou a auto-avaliação, muito centrada na assiduidade; no segundo, a hetero-avaliação, de carácter mais convencional, se bem que os critérios tenham sido consensualizados previamente com os estudantes; no terceiro, a avaliação foi mais rica e diversificada, utilizando diversos procedimentos. Neste caso, a aplicação de um questionário de incidentes críticos revelou os aspectos positivos e negativos do processo seguido e das propostas de melhoria correspondentes. 

Numa perspectiva global, valoramos positivamente a boa adesão à implementação deste enfoque metodológico, por parte dos estudantes, a evolução de muitos deles no sentido de uma melhor assumpção das suas responsabilidades como estudantes e da incorporação de uma atitude e pensamento críticos acerca de si próprios, pelo que julgamos que destas experiências resultou de certo modo o alicerce do saber ser e do saber estar, que entronca no sentido de responsabilidade a que finalmente queríamos chegar.      

Conclusões gerais

Nos três casos estudados, a intenção foi a de promover uma acção cooperativa no processo formativo, porém, tal não foi plenamente conseguido. A actividade cooperativa exige mais tempo, mais trabalho e maior sentido de responsabilidade. Conseguir que uma equipa funcione com consciência interdependente é um processo complexo, para o qual concorrem muitos factores, desde as convicções dos próprios estudantes (é mais fácil consegui-lo quando estes se convencem dos seus benefícios e o aplicam assiduamente na sua aprendizagem), às convicções e valores pedagógicos e educativos do docente; mas também estão em jogo o próprio clima e a cultura da organização educativa e em última análise do próprio sistema no seu todo.

Apesar dos “ventos de mudança” no ensino superior dos diversos países da comunidade europeia, em grande parte das universidades está muito enraízada a cultura de trabalho em grupos tradicionais, nos quais, em geral, se observa um evidente desequilíbrio de forças, já que uns se esforçam mais que outros e muitas vezes os docentes promovem mais a individualização e a competição do que a cooperação. No caso presente, a introdução de uma mudança metodológica, por vezes, gerou uma resposta que classificaremos de carácter corporativista, que se observou nos processos de hetero-avaliação. Pareceu evidente que o grupo se autoprotegia ante uma espécie de ameaça externa – a mudança metodológica, sem assumir plenamente uma avaliação responsável e partilhada. 

Partimos do pressuposto de que uma aprendizagem reflexiva e dialógica, em colaboração, favorece uma aprendizagem significativa do que é “ser-se responsável”. Ainda que no nosso projecto, o conceito de grupo cooperativo não tenha calado totalmente nos estudantes, a reflexão foi a nota dominante. Os estudantes, com as suas palavras, reflectem essa mudança: 

“Descobres as coisas em que tens que te fixar, pensas por ti mesmo”

“Aprender a valorar através dos nossos conhecimentos, estamos a aprender a ser críticos e a actuar com a lógica e não com a memória” 

“Aprendo a reflectir sobre o que sucede à minha volta, sobretudo em relação aos pacientes e a relacionar o patológico com o psicológico que é algo muito importante e que às vezes não lhe damos muita importância”.

Sobre o Autor:

Maria Aurora Rodríguez Borrego (se.ocu@mobor1neREVERSETHIS) - CV

Escola Universitária de Enfermagem | Universidade de Córdoba

Julia Boronat Mundina (se.avu.gdp@tanorobjREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Educação e Trabalho Social | Universidade de Valladolid

Isabel Freire (tp.lu.ecpf@ierfasiREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação | Universidade de Lisboa

Keywords
Educação Superior, Educar na responsabilidade, Estudo de caso, Formação em Enfermagem, Metodologias Colaborativas.
Como referenciar este artigo:

Rodríguez Borrego, Maria Aurora ; Boronat Mundina, Julia & Freire, Isabel (2008). Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 7, pp. 63-74. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt