Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

07
2008
Set | Out | Nov | Dez

Pedagogia do Ensino Superior

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Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem

Autor: Maria Aurora Rodríguez Borrego + , Julia Boronat Mundina + , Isabel Freire +

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Os objectivos específicos que guiaram todo o processo de investigação-acção foram os seguintes:
 
Aplicar o espírito da convergência a nível da metodologia docente:
  • Centrar a docência na aprendizagem dos alunos.
  • Educar os alunos na e para a responsabilidade.
  • Promover o trabalho de equipa.
  • Impulsionar a aprendizagem cooperativa, colaborativa e a aprendizagem baseada em problemas.
  • Incorporar a auto-avaliação e a hetero-avaliação, como parte do processo de ensino-aprendizagem.
Pôr em prática os princípios da educação democrática na aula, em determinadas unidades curriculares do curso de Enfermagem.
  • Promover o desenvolvimento de cada pessoa em cooperação com os demais (Dewey, citado por Romo & Nubiola, 2005).
  • Respeitar a iniciativa individual, a igualdade de condições e a liberdade intelectual (Dewey, citado por Romo & Nubiola, 2005).
  • Fomentar a participação real e activa dos estudantes na construção do seu próprio processo educativo.
Reflectir sobre a própria acção docente, com o objectivo de melhorá-la.

Avaliar o processo seguido e os resultados obtidos.
  • Aprofundar os conhecimentos relativos às respectivas unidades curriculares.
  • Analisar as respostas dos alunos e da professora, por referência ao que foi planificado e/ou aos compromissos assumidos.

Contexto institucional e académico
No momento actual, é bastante evidente tanto a situação de mudança em que se encontram as instituições de ensino superior, como o desafio que esta mudança coloca a qualquer professor universitário. No caso concreto dos docentes de Enfermagem, dado que se trata de formar pessoas que vão ser responsáveis pela saúde de outras pessoas, estamos num campo extraordinariamente complexo onde se cruzam perspectivas, matizes, contextos, formas e abordagens. Tanto no campo da prática da Enfermagem, como no campo da sua formação, estamos perante seres humanos, com todos os matizes que essa realidade comporta. Neste caso, lidamos com aspectos relacionados com a saúde e a doença, onde cada enfermidade e cada enfermo tem as suas características definidas. Por outro lado, a docência universitária está associada a um contexto social e educativo muito enraizado numa cultura onde o professor é dono do conhecimento e os alunos meros receptores do mesmo. Finalmente, assistimos a uma complexa situação, onde a formação teórica do aluno de Enfermagem se complementa com a formação prática nos Centros de Saúde e Hospitais, nem sempre existindo articulação entre a informação e um verdadeiro processo de formação.

Descendo ao próprio contexto sócio-educativo, situamos o estudo de caso múltiplo em dois centros universitários, Escolas de Enfermagem espanholas, situadas em cidades com uma população média de 60.000 habitantes (Ponferrada e Soria), as quais pertencem aos Campus das Universidades de Léon e de Valladolid, respectivamente. 

O estudo foi desenvolvido em três unidades curriculares distintas (Diagnósticos de Enfermagem, Saúde Oral e Enfermagem de Especialidades Médico-Cirúrgicas), com três grupos diferentes de estudantes, ainda que, no caso das duas primeiras unidades curriculares, de carácter optativo, um ou outro aluno fosse coincidente. A pesquisa no terreno desenvolveu-se durante dois anos académicos, 2004/05 e 2005/06, nos citados centros universitários. As unidades curriculares relativas ao primeiro e segundo casos (Ponferrada) têm carácter optativo, com uma carga de 4,5 créditos cada e a do terceiro caso (Soria) é obrigatória, com uma carga de 3 créditos. O número de alunos matriculados foi de 15 no primeiro caso, 44 e 50 no segundo e terceiro, respectivamente. 

À data do início da investigação, a introdução de experiências inovadoras no quadro da convergência europeia era práticamente inexistente no Campus de Ponferrada, o que implicou um esforço adicional para a sensibilização e a implicação dos estudantes universitários; não era o caso no Campus de Soria, onde se observava um maior conhecimento acerca do Espaço Europeu de Educação Superior e sobre as suas repercussões na docência universitária, ainda que nesta graduação não existam experiências contrastadas sobre metodologias inovadoras.    

Face a esta complexa realidade, no cerne da investigação, que em parte aqui apresentamos, esteve a intenção deliberada de uma das autoras de levar a cabo uma experiência pedagógica nas suas turmas no sentido da promoção de uma educação democrática e colaborativa. A opção pelo estudo de caso de investigação-acção apresentou-se como o meio ideal para conhecer, reflectir e intervir.

Sobre o Autor:

Maria Aurora Rodríguez Borrego (se.ocu@mobor1neREVERSETHIS) - CV

Escola Universitária de Enfermagem | Universidade de Córdoba

Julia Boronat Mundina (se.avu.gdp@tanorobjREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Educação e Trabalho Social | Universidade de Valladolid

Isabel Freire (tp.lu.ecpf@ierfasiREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação | Universidade de Lisboa

Keywords
Educação Superior, Educar na responsabilidade, Estudo de caso, Formação em Enfermagem, Metodologias Colaborativas.
Como referenciar este artigo:

Rodríguez Borrego, Maria Aurora ; Boronat Mundina, Julia & Freire, Isabel (2008). Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 7, pp. 63-74. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt