A
aprendizagem cooperativa é um termo genérico associado a um conjunto de procedimentos de ensino que parte da organização da turma em pequenos grupos mistos e heterogéneos, nos quais os alunos trabalham conjuntamente, de forma coordenada entre si, para resolver tarefas académicas e aprofundar a sua própria aprendizagem. A metodologia cooperativa, trabalhada e contrastada por numerosos autores (
Bará & Valero, 2005;
Bará et al., 2005;
Johnson & Jonhson, 1999,
2006;
Ovejero, 1993;
Slavin, 1991), permite a inter-relação entre os actores do processo educativo, enquadrada por um compromisso no sentido da partilha do próprio conhecimento e da elaboração de um novo, sendo assim coerente com os valores democráticos que a ela presidem e que a sustentam.
Segundo Cuseo (citado por
Bará & Valero, 2005), a aprendizagem cooperativa responde a estas características: a) promove a implicação activa do estudante no processo de aprendizagem; b) capitaliza a capacidade que os grupos têm para incrementar os níveis de aprendizagem, mediante a interacção entre companheiros; c) reduz os níveis de abandono dos estudos; d) permite conseguir uma educação, sustentada na liberdade e responsabilidade: e) promove a aprendizagem independente e autodirigida; f) favorece o desenvolvimento da capacidade de raciocínio crítico; g) facilita o desenvolvimento da competência da expressão escrita e da comunicação oral; h) incrementa a satisfação e o entusiasmo dos estudantes por esta modalidade de aprendizagem, e promove atitudes mais positivas face às matérias em estudo; i) permite acomodar os diferentes estilos de aprendizagem ao processo seguido; j) desenvolve a capacidade de liderança; k) propicia a preparação dos estudantes como cidadãos, para que possam enfrentar com maior maturidade os desafios da sociedade actual e do mundo laboral.
Para se conseguir uma acção cooperativa eficaz, é indispensável que exista uma interdependência positiva entre os componentes do grupo, uma responsabilidade individual e partilhada e uma reflexão sobre o funcionamento e actividade de cada grupo. Estas condições ocorrem quando os membros do grupo discutem sobre o alcance dos objectivos e valorizam a efectividade de seu trabalho em cooperação.
A
aprendizagem baseada em problemas (ABP), ainda que conte com muitos anos de tradição, é uma das estratégias renovadoras do processo de ensino-aprendizagem que mais se tem consolidado nas instituições de Educação Superior que têm apostado na implementação dos créditos ECTS (
Martínez Ortega et al., 2006). Para Bará e Valero (
2005), a ABP é uma estratégia didáctica na qual os estudantes, organizados em grupos, desenvolvem projectos orientados para estes objectivos: integrar conhecimentos e competências de várias áreas, desenvolver capacidades intelectuais de alto nível, promover a aprendizagem e o trabalho independentes e em equipa, e favorecer a auto-avaliação.
Morin (
2002), na sua obra
Os sete saberes para a educação do futuro, no capítulo específico sobre o quinto saber, assinala: “há que aprender a enfrentar as incertezas, já que o conhecimento supõe navegar por um oceano de incertezas através de arquipélagos de certezas”. Indubitavelmente, a ABP ajuda-nos a aprender a enfrentar situações problemáticas e incertas. Na formação de enfermeiros, a ABP goza de uma reconhecida trajectória de investigação e reflexão, destacando-se autores como Molina
et al. (
2003); Zapico (
2004); Juanola (
2004); Blanco
et al. (
2005), os quais colocam como meta a formação de enfermeiros(as) que sejam capazes de desenvolver de forma integrada as diferentes dimensões do seu papel profissional, definido sob a forma de competências.
Os eixos da
aprendizagem baseada em problemas, segundo Font (
2004), são os seguintes: o problema ou eixo condutor; o aluno e o professor, que actua como tutor; a actividade, vista como uma acção cooperativa; e a avaliação que faz parte do próprio processo, tomando diversos matizes: auto-avaliação, avaliação entre pares, hetero-avaliação e co-avaliação.
Por último, a aprendizagem significativa apresenta-se como uma consequência da aplicação das metodologias colaborativas, indispensável para viver, mover-se e evoluir no âmbito do conhecimento. Uma aprendizagem significativa, no caso presente, implica um exercício pessoal de reflexão, ou seja, um diálogo com o próprio, mediante o qual os estudantes elaboram e interiorizam conhecimentos, capacidades e destrezas, a partir de experiências anteriores relacionadas com os seus próprios interesses e necessidades, ou seja, em situações reais e quotidianas no campo da saúde. A aprendizagem significativa tem especial relevância na formação cognitiva e atitudinal para “educar na responsabilidade e para a responsabilidade”.