Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

07
2008
Set | Out | Nov | Dez

Pedagogia do Ensino Superior

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Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem

Autor: Maria Aurora Rodríguez Borrego + , Julia Boronat Mundina + , Isabel Freire +

páginas: 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 | pdf | próximo artigo »

Cortina (2000) afirma que organizamos as nossas vidas a partir daquilo que valorizamos, a partir do que preferimos. Na verdade, os valores, quer sejam estéticos, intelectuais, religiosos, morais, etc., enquanto qualidades das coisas, das acções, das pessoas que nos atraem, ajudam-nos a construir um mundo habitável. No nosso ponto de vista, os valores morais serão aqueles que qualquer pessoa ou qualquer instituição deveria ter e que qualquer acção deveria subentender para que possa chamar-se humana no pleno sentido da palavra. Sendo a responsabilidade um valor, o referencial teórico da investigação que aqui apresentamos é o da Pedagogia dos Valores, no seu sentido mais amplo, como assinala Tierno (1996): “Se o mundo dos valores pode servir de guia à humanidade nas suas aspirações de paz e de fraternidade, pela mesma razão deve servir de guia ao indivíduo nos seus desejos de autorrealização e de aperfeiçoamento” (p. 19).

Colocando-nos no ponto de vista do formador de futuros profissionais de Enfermagem e também do formador de formadores, é para nós crucial o compromisso de preparar os estudantes no sentido em que, como futuros profissionais, respondam às solicitações que lhe são colocadas de tal modo que as suas respostas sejam alicerçadas em valores humanos. Neste sentido, como temos vindo a referir, a nossa proposta dirige-se concretamente ao compromisso de educar na responsabilidade e para a responsabilidade.

A responsabilidade está intimamente ligada ao conjunto de crenças que orientam o nosso quotidiano e aos valores sociais, éticos e morais que determinam as ditas crenças. Em consequência, uma educação para os valores e nos valores morais só poderá ter êxito se esses valores não ficam pelo terreno das ideias, antes encarnam nas crenças da vida quotidiana. No caso da formação universitária, uma coisa é o que lemos, as ideias, os conteúdos próprios de uma disciplina; e outra é o mundo das crenças, do que vivenciamos dia a dia, ou seja, o que fazemos profissionalmente. Traduzir a tão sublinhada distância/distorção entre a teoria e a prática na distância/distorção entre a ideia e a crença, anima-nos a equacionar a necessidade de educar partindo de e para respostas coerentes, em consonância com as crenças, ou seja, educar partindo de e para respostas responsáveis.

No caso presente, colocou-se à própria investigadora/formadora um repto: identificar e avaliar a existência ou a falta de responsabilidade; meta que sob todos os pontos de vista se apresenta de difícil e complexa abordagem, contudo viável se apostarmos na realização de aulas com metodologias cooperativas, como veremos mais adiante. 

A responsabilidade é um valor que pode ser entendido a partir de diversas perspectivas. Este valor pode tornar-se presente, materializar-se, avaliar-se, investigar-se, aprender-se e, em último caso, pode educar-se na e para a responsabilidade. No nosso âmbito profissional, torna-se inquestionável que a prática do enfermeiro deve estar impregnada de acções responsáveis. Neste sentido, entendemos que a formação universitária dos futuros enfermeiros(as), necessita de incorporar no seu quotidiano o princípio da responsabilidade, a partir de uma educação democrática e colaborativa.

Enfoque Formativo: a aprendizagem cooperativa

Partindo do quadro axiológico apresentado e presidindo ao nosso projecto de investigação a grande finalidade de educar na responsabilidade e para a responsabilidade os estudantes universitários, futuros professionais de Enfermagem, torna-se necessário apresentar aqui e fundamentar as opções pedagógicas que se tomaram.

A nossa opção por uma metodologia cujo foco é a aprendizagem cooperativa, se em parte decorre das tendências da política universitária actual, no quadro da convergência europeia, ela representa indubitavelmente uma resposta face às necessidades sociais, educativas e de saúde da sociedade, as quais decorrem dos valores e princípios inerentes à democracia. Princípios como os da participação, da colaboração, da partilha de interesses, do consenso, da tomada de decisões, da autonomia estiveram subjacentes às opções pedagógicas tomadas neste projecto.

Por outro lado, esta metodologia apresenta-se como um meio coerente com as orientações estabelecidas no Tuning (González & Wagenaar, 2003), no sentido de o processo educativo se orientar para o desenvolvimento de competências que se reflictam na possibilidade de cada estudante aprender a aprender, preparando-se para um processo de formação ao longo da vida. A fim de tornar operativos estes princípios estabelecemos a seguinte estrutura relacional orientadora e estruturante do nosso trabalho de investigação: a aprendizagem baseada em problemas, como fundamento didáctico; a aprendizagem cooperativa, como instrumento prático de operacionalização do processo de aprendizagem; e a aprendizagem significativa, como produto que se deseja alcançar, com reflexos a prazo. 

Sobre o Autor:

Maria Aurora Rodríguez Borrego (se.ocu@mobor1neREVERSETHIS) - CV

Escola Universitária de Enfermagem | Universidade de Córdoba

Julia Boronat Mundina (se.avu.gdp@tanorobjREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Educação e Trabalho Social | Universidade de Valladolid

Isabel Freire (tp.lu.ecpf@ierfasiREVERSETHIS) - CV

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação | Universidade de Lisboa

Keywords
Educação Superior, Educar na responsabilidade, Estudo de caso, Formação em Enfermagem, Metodologias Colaborativas.
Como referenciar este artigo:

Rodríguez Borrego, Maria Aurora ; Boronat Mundina, Julia & Freire, Isabel (2008). Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 7, pp. 63-74. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt