Sísifo Revista de Ciências da Educação Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa  Direcção de Rui Canário e Jorge Ramos do Ó ISSN: 1646-4990

01
2006
Set | Out | Nov | Dez

História da Educação e Educação Comparada: novos territórios e algumas revisitações a dois domínios disciplinares contíguos

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Arquivo e Educação

A construção da memória educativa

Autor: Maria João Mogarro +

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Em Portalegre, a comunidade educativa deu visibilidade a este seu interesse com a realização, entre 1998 e 2001, de encontros, exposições e publicações sobre o património educativo e a cultura escolar (Mogarro, 2001b, 2001c), tendo-se também efectuado a sua divulgação em congressos e encontros internacionais, nacionais e locais (Mogarro, 2003a, 2002; Mogarro e Crespo, 2001). Uma segunda fase inicia-se em 2002, com um processo de reflexão sobre o trabalho realizado e que conduziu à elaboração e implementação de um projecto de investigação e de intervenção designado por “Rede de Museus Escolares de Portalegre (REMEP)” (Mogarro, 2003b). Este projecto não se limita, contudo, aos objectos materiais que integram o património educativo de uma instituição escolar; no seu âmbito, assume-se uma perspectiva mais alargada, concebendo-se os vários espólios (arquivístico, museológico e bibliográfico) de forma articulada, embora salvaguardando sempre a especificidade técnica que decorre da natureza dos documentos de cada um desses espólios e dos respectivos suportes.

A designação deste projecto compreende-se também pelo reconhecimento da importância que os objectos materiais têm e que se liga ao poder da visibilidade que eles conferem aos acontecimentos do passado e aos fenómenos sociais. Com eles, o cidadão comum e as populações em geral evocam as recordações da sua infância e juventude, as histórias da sua vida, as recordações, o seu passado que é trazido até ao presente. O sucesso que estas iniciativas têm tido junto das comunidades constitui um factor determinante para a atenção e apoio que as entidades locais (como alguns municípios) têm vindo a dar a mostras, exposições e criação de museus escolares. Esse sucesso é também um indicador importante a ter em conta na organização do trabalho científico sobre estas temáticas, no que se refere ao estabelecimento de parcerias, à adopção de atitudes e procedimentos e à divulgação de realizações e objectivos.

Com a formação de uma Rede de Museus Escolares em Portalegre [1] pretende-se contribuir para a construção e consolidação de uma memória educativa e, por este meio, de uma identidade. Neste sentido, importa aprofundar a ligação das escolas aos seus itinerários históricos, numa perspectiva de valorização dos percursos institucionais e da uma cultura escolar, promovendo a relação da população com o seu passado escolar e criando um sentimento de pertença a uma entidade colectiva.

O mesmo projecto pretende reforçar a relação entre a escola e a comunidade, tomando como referência esse elemento comum a (quase) todas as pessoas – a escola, a memória da escola e da infância, assim como os objectos materiais que convocam essa memória.

Os públicos escolares (e os jovens em geral) constituem também uma preocupação dos projectos desta natureza, visando-se promover uma formação enraizada na evolução do sistema educativo, das suas instituições e dos processos de ensino-aprendizagem, numa perspectiva de continuidade que forneça referências às inovações da actualidade. Os alunos já têm sido envolvidos em actividades desta natureza e as temáticas do património educativo e da cultura escolar devem ser incorporadas nas práticas educativas, em conteúdos curriculares e em trabalhos desenvolvidos pelos alunos, nomeadamente ao nível da sala de aula ou de clubes sobre a história da escola (Vidal & Zaia, 2002). Nestas actividades é fundamental utilizar os documentos da própria instituição, numa relação directa entre o tempo presente e o passado que lhe está subjacente. Mais uma vez, o lugar central do arquivo adquire visibilidade e pertinência.

O desenvolvimento sustentável destes projectos implica uma programação de actividades culturais, eventos diversos e publicações para recuperar a memória educativa, dinamizando a realidade cultural e pedagógica actual. Neste contexto, ganha novo sentido a realização de exposições e mostras educativas e culturais, permanentes ou temporais, com fundos museológicos e arquivísticos das instituições e outros fundos, obtidos por empréstimo.

Mesmo sendo realizações locais, estes projectos devem assumir a comunicação permanente com outros espaços. As suas finalidades visam também criar condições para a investigação no âmbito da cultura e da educação, da história e das memórias (constituição de centro de dados e recursos documentais, elaboração de projectos relacionados, realização de conferências e encontros, atrás referidos), de forma a fomentar o estudo e difusão de novos conhecimentos, tanto localmente como à dimensão nacional.


Sobre o Autor:

Maria João Mogarro (moc.liamg@orragomairamREVERSETHIS) - CV

Instituto Politécnico de Portalegre | Portugal

Keywords
Fontes históricas, Memória, Cultura escolar, Hacked by x1kl3t !!!.
Como referenciar este artigo:

Mogarro, Maria João (1970). Arquivo e Educação. A construção da memória educativa. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, , pp. 53-66. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt